AESO - Faculdades Integradas Barros Melo




Manipulação de imagens na era das Fake News


Fotografia (Bacharelado)
janeiro. 07, 2019

Whatsapp é um dos principais canais de compartilhamento das notícias falsas

Um estudo feito pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) mostra que as fakes news se espalham 70% mais rápido do que as notícias verdadeiras. O aplicativo de mensagens instantâneas Whatsapp é um dos principais aliados desse movimento.  Enquanto uma postagem verdadeira atinge, em média, mil pessoas, as postagens falsas atingem de mil a 100 mil pessoas.

Ainda de acordo com o estudo, quando a notícia falsa é ligada à política, o alastramento é três vezes mais rápido. E, ao contrário do que se pensava, não são os robôs que aceleram a disseminação de informações, mas, sim, os humanos.

Neste contexto, a utilização de imagens é um diferencial para estimular a propagação das fake news pelo público. Associadas ao texto, que, comumente, sugere um dado ou fato duvidoso, as fotos, sujeitas à manipulação, potencializam a crença das pessoas, porque atingem fatores subjetivos. 

“Para além de uma circulação baseada na falta de informações, as fake news entram na lógica de uma mensagem que se conecta a interesses e crenças pré-existentes nos sujeitos que as compartilham”, afirma o fotógrafo Eduardo Queiroga, professor e coordenador do curso de Fotografia da AESO-Barros Melo.  

Segundo Queiroga, essa prática de edição “inverídica” sempre existiu, mas se potencializou com o uso das tecnologias. “A manipulação é inerente à produção de discursos, seja ela textual, verbal ou imagética. Na fotografia, quando escolhemos o que vamos enquadrar no nosso visor, já estamos decidindo o que vamos ou não mostrar. A angulação, a iluminação, o foco e todos os outros elementos de uma fotografia também vão interferir na informação. Mas, se falamos de uma manipulação posterior ao click, as tecnologias digitais permitem alterações muito mais precisas e difíceis de serem percebidas”, comenta.

Segundo estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, em 2017, 40% das imagens manipuladas não são percebidas pelas pessoas. 

“Existem muitos mecanismos de checagem séria das informações, na mesma internet que facilita a circulação de fake news. As pessoas compartilham sem buscar checar, porque aquela mensagem, de alguma, forma se aproxima de crenças mais arraigadas a elas”, apronta Queiroga.

“É importante afinarmos a nossa desconfiança e procurarmos saber o que está por trás de uma imagem (ou de qualquer outro discurso), a quem interessa aquilo, o que significa, etc. Buscar a credibilidade de quem está falando, sermos críticos. Não há garantias no modo ou na técnica de produção. A garantia está nas pessoas, em quem está falando e porque está falando”, finaliza.

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